Famílias grandes do interior de Minas Gerais têm lá suas maneiras. Sempre existem pedaços genealógicos teus enfiados em algum vale, rodeados de natureza com uma cozinha de fazer queijo em casa. E quando os visita, tu comes frango caipira – sim, o do peito pequeno, a graça seria chupar os ossos -, pastel de queijo, claro – vai pinga na massa! -, e até chás hipnóticos que, quando acompanhando bolinhos de polvilho, parecem água! Ainda mais pra quem não toma café. O sono é pós-prandial. As pálpebras criam com o chão um quimiotropismo positivo – mas campo magnético aqui ia ser perfeito... -, e são puxadas para baixo a fim de destacá-las do teu rosto; como tu estás anestesiado, nem sente. Quando tu chegar em casa, dormes. Dormes. Dormes. Dormes. Nunca mais acordas e quando acordas, acordas com uma dor de cabeça, uma sensação de desidratação... Res-sa-ca!
E quando são esses elos co-sangüíneos perdidos que te visitam?
- Diego, vem aqui!
- Sim mãe.
- Olha quem está aqui!
- Olá, olá! Boa tarde!... Mãe, quem são?
Destruindo sua tentativa de discrição, aos berros:
- Uai, é Virgininha do Beto! Você não se lembra dela?
Essa pergunta arremate é coisa de inimigo, não é coisa de mãe.
- Não sei se eu lembro, mãe. Da onde eu a conheço mesmo?
- Ah Diego, a Virgininha do Beto, filho do Cráucio leiteiro, eles são do Feijoal. O Cráucio é filho do irmão do Vô Nardo!
- Ah... Então o “Cráucio” é seu primo e a Virgininha é casada com o filho do seu primo!
- Isso, o Beto é meu primo de segundo grau!
- Não mãe, de quarto.
Depois que nossos parentes tomaram volta à vida bucólica que levam, minha mãe e eu passamos um tempo conjecturando acerca dos graus de parentesco. Eu defendia a idéia de que primos ditos “de primeiro grau” são, na verdade, parentes de terceiro grau. E ela dizia que estão relacionados em terceiro grau, no entanto, são primos de primeiro grau, o grau seria grau um, e que há diferença ao quantificar o quão próximo tu és de um relativo, pois há as relações de consangüinidade e de parentesco, que são mensuradas diferentemente.
Não aceitei. Todo o mundo até entende o que se quer dizer, entretanto, há os que usam a tal relação de parentesco apenas, ficando com uma noção enganada do grau de consangüinidade. Só que essas pessoas não precisam se referir à relação de consangüinidade, usada na genética por exemplo. Sendo assim ficou certo!
Sempre se entende, então é certo. Não causa engano; ajuda na organização do quem vai cuidar da avó velha que, possivelmente, tornar-se-á um estorvo; ensina aos mais novos que o papai e a mamãe também têm primos – mais um indício de que eles também foram crianças! Porque primo é primo. Brincar de esconde-esconde na ceia de Natal com galera é a melhor coisa! E brigar pra ser o Power Ranger vermelho então? Mal sabíamos que ele estaria nas telas pornô um tempo depois e sem mudar o nome artístico, o que é um dolo gravíssimo! Afinal de contas, caso tu não saibas ainda, o teu nome no mercado pornô é produto da regra:
NOME DO TEU ANIMAL DE ESTIMAÇÃO PREFERIDO + ÚLTIMO NOME DA RUA EM QUE MORAS
Não tem erro! Xaninha Rodini, Luck Rigotto, Night Saudades...
Imagina a Ilha dos Porn Stars no Hawaii. Habitada apenas por artistas do sexo e cercada por um arrecife de corais que contém muito ferro na composição de suas proteínas, o que cria um campo magnético ao redor da ilha e implica qualquer pessoa entrar ou sair da ilha com uma segurança máxima de 16,3% - sinceramente, campos magnéticos são infalíveis! Adoro-os.
Entenderás a razão da existência hipotética dessa ilha dos prazeres!
Imagino eu passando o Réveillon nessa ilha: apenas pessoas jovens, lindas, saradas, sensuais... Pois é, meus critérios me excluíram do meu próprio Réveillon.
Estará mesmo correta essa engenharia abstrata de colocar primos como “primeiro grau”, sendo que são parentes de terceiro grau? Levando em conta que a palavra “primo” já designa “filho do seu tio”, dizer “primo de primeiro grau” está certo ou errado. E só é certo por ser certo para todas as pessoas. Objetivando responder ao questionamento, sugeri que minha mamãe imaginasse um lugar normal, repleto de pessoas normais, que freqüentam escolas normais, nas quais se aprende biologia normalmente. O fator exógeno é que esse lugar é um pouco menor que o estado do Paraná e está cercado de água salgada, do mar, por todos os lados! Sim! É uma ilha! Uhul! É a Ilha dos Filhos Únicos: nunca houve uma mulher nessa ilha que tenha gestado mais de uma vez. Fica na micronésia e... Consegue adivinhar? Há um campo magnético fortíssimo rodeando esse lugar, impedindo o trânsito de pessoas, o que, obviamente, não impediu que a população local desenvolvesse sociedade, cultura, política, economia e tudo mais de forma normal (a última temporada de LOST vai explicar como foi possível).
Nessa ilha nunca se falou em primo de segundo grau, pois ninguém tem primo! Então para eles estar relacionado a alguém que é filho da irmã da sua mãe é terceiro grau, ok? Se a gente desligar o campo magnético da Ilha dos Filhos Únicos (em LOST já fizeram isso!) e pinçar algum nativo e colocá-lo no nosso meio, falar primo de terceiro grau vai causar mal entendido, tornando esse modo de quantificar familiaridade incorreto! Ufa!
- Então dizer “primo de segundo grau” só estará errado caso a Ilha dos Filhos Únicos exista?
- Existe a Ilha de Lesbos, não existe?
Ilhas com campo magnéticos são excelentes! Não sabe mais como defender um erro? Ilha cercada por um campo magnético. Fe-chou.
domingo, 27 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Eu estudo medicina e agora estou indo assistir a uma aula de ética. Meu professor de ética candidatou-se a vereador nas últimas eleições: ou ele é o professor perfeito para esse conteúdo pelo seu idealismo, coragem e vanguardismo ou ele é o exemplo perfeito do mau caratismo, desrespeito e arcaicismo.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Cartão Postal
(Rita Lee - Paulo Coelho)
Pra que sofrer com despedida
Se quem parte não leva
Nem o sol, nem as trevas?
E quem fica não se esquece tudo que sonhou
I know...
Tudo é tão simples que cabe num cartão postal
E se a história é de amor
Não pode acabar mal
O adeus traz a esperança escondida
Pra que sofrer com despedida?
Se só vai quem chegou
E quem vem vai, vai partir
Você sofre, se lamenta
Depois vai dormir
Sabe?
Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra que querer ensinar a vida?
Pra que sofrer?
Baby só vai quem chegou
E que vem vai partir
Você sofre, se lamenta
Depois vai dormir
Sabe?
Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra que querer ensinar a vida?
Pra que sofrer com despedida?
(Rita Lee - Paulo Coelho)
Pra que sofrer com despedida
Se quem parte não leva
Nem o sol, nem as trevas?
E quem fica não se esquece tudo que sonhou
I know...
Tudo é tão simples que cabe num cartão postal
E se a história é de amor
Não pode acabar mal
O adeus traz a esperança escondida
Pra que sofrer com despedida?
Se só vai quem chegou
E quem vem vai, vai partir
Você sofre, se lamenta
Depois vai dormir
Sabe?
Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra que querer ensinar a vida?
Pra que sofrer?
Baby só vai quem chegou
E que vem vai partir
Você sofre, se lamenta
Depois vai dormir
Sabe?
Alguém quando parte é por que outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra que querer ensinar a vida?
Pra que sofrer com despedida?
sábado, 13 de junho de 2009
? ou Texto que só existe porque neguei um real a um pedinte
Eu tinha acabado de dar banho no cachorro e tal qual a louça, era ele que me lavava. Com a calça jeans velha ainda molhada sentei ao computador para fazer nada, mas era um nada que, obrigatoriamente, intercala todas as ações do dia. Aí então ouvi palmas. Percebendo que era alguém desconhecido em busca de favores, respostas ou qualquer outra exasperação que atrapalharia o meu nada, eu sublimei; no entanto, o ser bonito cheio do espírito santo – veremos que realmente o era –, ao perceber a indiferença, começou a bater com uma chave no portão produzindo um titilar único.
Eu interrompi o meu nada com ira de quem é atravancado num momento cotidiano e fui à janela do quarto prestar a atenção devida. Para minha surpresa, um surdo me fez um gesto de “venha aqui” com a mão e mudou a direção do olhar, como se estivesse a me ordenar ao encontro dele. Saí disposto a proporcionar ao insolente o que ele merecia.
Assim que apareci no portão ele me ofereceu um adesivo de um real estampado com a figura de Nossa Senhora Aparecida. Eu recusei negando a figura do adesivo, dando a entender que eu não era crente da divindade pintada; de pronto, ele sacou de sua pochete xexelenta outro adesivo: preto e branco, com desenho de formigas gigantes e de feições humanas, além do dizer “Jesus te ama”. Novamente eu fiz sinal de negação, dessa vez eu apontei o escrito “Jesus” e apontei pra mim, fiz “não” com o dedo indicador, juntei as palmas das mãos e fiz o “em nome do Pai”. Ele me fez uma cara de sacana, como quem percebe que está sendo enganado...
De pronto me perguntou se eu era do diabo! Apontou para mim, para baixo e fez um touro em mímica, acreditando que ia causar uma contradição. Plácido eu fiz “não”, fiz de novo, indiquei o céu, fiz mais uma vez, indiquei o chão.
- Eu nada!
O enviado mascate insistiu com idéias diabólicas sem transparecer malandragem, pois já temia estar diante de um anticristo convicto.
De nome de filme em nome de filme, animal por animal, nome de música a personalidades famosas, como se usasse luvas brancas, consegui fazê-lo entender que não compraria nem se os adesivos fossem estampados de Black Sabbath. Vi uma encenação interessante, carregada de questionamento: após pousar as duas mãos sobre o peito e fechar os olhos, ele traçou com as palmas das mãos esticadas duas linhas paralelas imaginárias no chão. Eu me belisquei olhando pra ele, apalpei meu braço e acusei um finish após aquela cena fúnebre. Ele arregalou os olhos, respirou fundo e depois relaxou... Apontou para si e, com um riso discreto, desenhou uma interrogação no ar, o ar que nada segura, que sopra as partículas pra longe, o ar do efêmero que acumulou em si todo o significado de curvas que não existiam. Milímetrodesenhada, a interrogação que não existia deflagrou o entendimento do humano. Acenou e foi embora.
Contei o acontecido para a minha mãe na cozinha; enquanto falava percebia mais e mais o quanto ignorante ele não era, ou era, ou não sei... Não sei se eu estava preparado para discutir existencialismo com um surdo feio e fedido que anda pelas ruas a vender adesivos cristãos. De qualquer forma:
- Merece até um real ele, viu?!
- E você deu?
- Eu não! Merecer ele merece, mas não sou eu quem vai dar!
Voltei ao normal.
Eu interrompi o meu nada com ira de quem é atravancado num momento cotidiano e fui à janela do quarto prestar a atenção devida. Para minha surpresa, um surdo me fez um gesto de “venha aqui” com a mão e mudou a direção do olhar, como se estivesse a me ordenar ao encontro dele. Saí disposto a proporcionar ao insolente o que ele merecia.
Assim que apareci no portão ele me ofereceu um adesivo de um real estampado com a figura de Nossa Senhora Aparecida. Eu recusei negando a figura do adesivo, dando a entender que eu não era crente da divindade pintada; de pronto, ele sacou de sua pochete xexelenta outro adesivo: preto e branco, com desenho de formigas gigantes e de feições humanas, além do dizer “Jesus te ama”. Novamente eu fiz sinal de negação, dessa vez eu apontei o escrito “Jesus” e apontei pra mim, fiz “não” com o dedo indicador, juntei as palmas das mãos e fiz o “em nome do Pai”. Ele me fez uma cara de sacana, como quem percebe que está sendo enganado...
De pronto me perguntou se eu era do diabo! Apontou para mim, para baixo e fez um touro em mímica, acreditando que ia causar uma contradição. Plácido eu fiz “não”, fiz de novo, indiquei o céu, fiz mais uma vez, indiquei o chão.
- Eu nada!
O enviado mascate insistiu com idéias diabólicas sem transparecer malandragem, pois já temia estar diante de um anticristo convicto.
De nome de filme em nome de filme, animal por animal, nome de música a personalidades famosas, como se usasse luvas brancas, consegui fazê-lo entender que não compraria nem se os adesivos fossem estampados de Black Sabbath. Vi uma encenação interessante, carregada de questionamento: após pousar as duas mãos sobre o peito e fechar os olhos, ele traçou com as palmas das mãos esticadas duas linhas paralelas imaginárias no chão. Eu me belisquei olhando pra ele, apalpei meu braço e acusei um finish após aquela cena fúnebre. Ele arregalou os olhos, respirou fundo e depois relaxou... Apontou para si e, com um riso discreto, desenhou uma interrogação no ar, o ar que nada segura, que sopra as partículas pra longe, o ar do efêmero que acumulou em si todo o significado de curvas que não existiam. Milímetrodesenhada, a interrogação que não existia deflagrou o entendimento do humano. Acenou e foi embora.
Contei o acontecido para a minha mãe na cozinha; enquanto falava percebia mais e mais o quanto ignorante ele não era, ou era, ou não sei... Não sei se eu estava preparado para discutir existencialismo com um surdo feio e fedido que anda pelas ruas a vender adesivos cristãos. De qualquer forma:
- Merece até um real ele, viu?!
- E você deu?
- Eu não! Merecer ele merece, mas não sou eu quem vai dar!
Voltei ao normal.
domingo, 10 de maio de 2009
Mimese
Poucos grandes amigos: os mais amados.
Só aprendi as regras de acentuação gráfica no terceiro colegial e achei absurdo mudarem dois anos depois que eu aprendi! Por isso eu morrerei colocando acento em todas as palavras, inclusive nos nomes não acentuados cujos donos dizem "não ter acento". Tem sim e pronto acabou.
Ainda não tenho tatuagem, mas penso que em breve farei uma.
Já vomitei Fanta Tailândia.
Quero ter um dogue alemão com nome de gente, três vira-latas com nome de sabor de gelatina e um são bernardo.
Aposto que o ator Marcos Caruso vai urinar na cama quando ficar velhinho.
Me enjoa sentir o cheiro de nozes, porque em um certo natal eu comi sozinho um quilo de uma vez e passei mal
E eu só senti saudade da minha vó uns anos depois da morte dela, quando eu esqueci o cheiro dela.
Eu posso ser surdo e astigmata, mas sinto cheiro de tudo! Eu tenho alguma coisa com cheiros.
Já sentiu o cheiro da pata do seu cachorro?
O único doce do qual eu gosto mesmo é sorvete, e o que eu mais gosto dentre todos é o de pistache.
Odeio banho de chuva! É que nem tomar banho, só que fede, é frio e é perigoso!
Odeio praia.
Já rasguei uma calça jeans nova dançando funk.
O prato que eu mais gosto é uma vaca atolada que a minha mãe acertou de fazer uma vez só, faz tempo... Depois ela nunca mais fez uma vaca atolada tão boa quanto aquela, eu acho que ela tava inspirada porque a gente tava jogando Donkey Kong naquele fim de semana.
Tem dia que eu fico com medo do escuro e não sei por quê.
Não tenho cara de médico.
Quero morar um tempo na Espanha.
Já ganhei um bug elétrico em sorteio de supermercado (já tava com mais de 1,70m na época), vinho em bingo (eu tinha 9 anos) e cueca em amigo secreto (é... a cueca eu usei, né?!).
Gosto de Funk.
Dizem que eu danço bem, mas eu tenho medo de me ver dançando.
Todo mundo fala de “Ratatouille” mas eu não vi nada no filme.
Eu assisto ao BBB.
Nunca tive uma casa na árvore, mas acho que não queria não... Fazer o que lá?! (Não, crianças não fazem isso...)
Não comeria sorvete com catchup, nem com batata frita! Nem comeria brigadeiro com pipoca! Nunca comi, mas não gosto euclidianamente.
Já vomitei bêbado (lembra da Fanta Tailândia?).
Gente, mentir não é, necessariamente, feio.
Cético.
A Capitu traiu o Bentinho, sim! Vadia desgraçada!
Eu dramatizava Power Rangers.
Sempre achei idiotice caçar formigão de bunda, aleluia e afins... Botar eles pra brigar então nem se fala!
Na quinta série, uma vez, fui fazer uma piada do filme "O Pestinha" e estava gripado, daí eu ri antes da piada acabar e expeli um monte de ranho! A piada falava sobre "bifa" e "nariz"...
Já fui expulso da sala de aula por conversa n vezes.
Postulei o peritôneo como o maior mistério da anatomia humana, o controle de embreagem como o maior mistério do automobilismo e o AMPcíclico como o maior mistério da bioquímica.
Minha fruta preferida é melancia, mas o melhor cheiro é o do maracujá – que é a fruta da paixão de cristo, e não da paixão da safadeza...
Já tive um cachorro ao qual deram veneno.
Sou um sonhador, sei disso e mesmo assim acredito no que eu invento, consigo até contagiar pessoas!
Eu já caí no chão com uma marmita na mão e escorreguei e sangrei em meio ao feijão do almoço.
Só aprendi as regras de acentuação gráfica no terceiro colegial e achei absurdo mudarem dois anos depois que eu aprendi! Por isso eu morrerei colocando acento em todas as palavras, inclusive nos nomes não acentuados cujos donos dizem "não ter acento". Tem sim e pronto acabou.
Ainda não tenho tatuagem, mas penso que em breve farei uma.
Já vomitei Fanta Tailândia.
Quero ter um dogue alemão com nome de gente, três vira-latas com nome de sabor de gelatina e um são bernardo.
Aposto que o ator Marcos Caruso vai urinar na cama quando ficar velhinho.
Me enjoa sentir o cheiro de nozes, porque em um certo natal eu comi sozinho um quilo de uma vez e passei mal
E eu só senti saudade da minha vó uns anos depois da morte dela, quando eu esqueci o cheiro dela.
Eu posso ser surdo e astigmata, mas sinto cheiro de tudo! Eu tenho alguma coisa com cheiros.
Já sentiu o cheiro da pata do seu cachorro?
O único doce do qual eu gosto mesmo é sorvete, e o que eu mais gosto dentre todos é o de pistache.
Odeio banho de chuva! É que nem tomar banho, só que fede, é frio e é perigoso!
Odeio praia.
Já rasguei uma calça jeans nova dançando funk.
O prato que eu mais gosto é uma vaca atolada que a minha mãe acertou de fazer uma vez só, faz tempo... Depois ela nunca mais fez uma vaca atolada tão boa quanto aquela, eu acho que ela tava inspirada porque a gente tava jogando Donkey Kong naquele fim de semana.
Tem dia que eu fico com medo do escuro e não sei por quê.
Não tenho cara de médico.
Quero morar um tempo na Espanha.
Já ganhei um bug elétrico em sorteio de supermercado (já tava com mais de 1,70m na época), vinho em bingo (eu tinha 9 anos) e cueca em amigo secreto (é... a cueca eu usei, né?!).
Gosto de Funk.
Dizem que eu danço bem, mas eu tenho medo de me ver dançando.
Todo mundo fala de “Ratatouille” mas eu não vi nada no filme.
Eu assisto ao BBB.
Nunca tive uma casa na árvore, mas acho que não queria não... Fazer o que lá?! (Não, crianças não fazem isso...)
Não comeria sorvete com catchup, nem com batata frita! Nem comeria brigadeiro com pipoca! Nunca comi, mas não gosto euclidianamente.
Já vomitei bêbado (lembra da Fanta Tailândia?).
Gente, mentir não é, necessariamente, feio.
Cético.
A Capitu traiu o Bentinho, sim! Vadia desgraçada!
Eu dramatizava Power Rangers.
Sempre achei idiotice caçar formigão de bunda, aleluia e afins... Botar eles pra brigar então nem se fala!
Na quinta série, uma vez, fui fazer uma piada do filme "O Pestinha" e estava gripado, daí eu ri antes da piada acabar e expeli um monte de ranho! A piada falava sobre "bifa" e "nariz"...
Já fui expulso da sala de aula por conversa n vezes.
Postulei o peritôneo como o maior mistério da anatomia humana, o controle de embreagem como o maior mistério do automobilismo e o AMPcíclico como o maior mistério da bioquímica.
Minha fruta preferida é melancia, mas o melhor cheiro é o do maracujá – que é a fruta da paixão de cristo, e não da paixão da safadeza...
Já tive um cachorro ao qual deram veneno.
Sou um sonhador, sei disso e mesmo assim acredito no que eu invento, consigo até contagiar pessoas!
Eu já caí no chão com uma marmita na mão e escorreguei e sangrei em meio ao feijão do almoço.
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Astúcia
O tênis recém-comprado da Mizuno era demais: todo prateado com faixas azuis nas laterais, fora os amortecedores que deviam aguentar o peso de saltos de javali. Por falar em javali, sabia que no Tic Tac azul vai cera de ouvido de javali? De que jeito você acha que conseguiram fazer uma balinha minúscula, super ardida e meio forte? Por que é forte, já reparou? Não é só ardido... porque ardido é diferente de forte. O Tic Tac azul meio que metaliza a boca... E o tênis era legal! mas o que mais me chamou a atenção, há mais de dez anos, não foi o tênis prateado com faixas azuis e com amortecedores que me lembram Tic Tac azul, o que mais me chamou a atenção foi um mini-catálogo sanfonado.
Unido ao tênis por aqueles... ai, como eu explico? Sabe a coisinha de plástico branco mega resistênte que une a etiqueta da roupa ao cartãozinho de preço da loja? Aquele que corta a mão mas não arrebenta quando se faz força, aí puxamos com os dentes e parece que os dentes da frente vão sair da gengiva - quase a mesma sensação de quando o dentista tira o quadradinho metálico do aparelho fixo com o alicate! -, pois é, unido ao tênis com esse coisinho veio um mini-catálogo dos modelos de tênis da marca e eu tive uma grande idéia!
Influenciado pela onda do tele-entretenimento nacional da época, que contemplava um remetente carente com um dia de compras e diversão ao lado de seu "artista" preferido - mas tinha que provar ser fã, viu?! Pastas montadas com recortes de revistas e jornais eram cabais -, resolvi, eu, escrever uma carta para a Mizuno usando o endereço do próprio catalogozinho, já que eu não ia fazer pasta, né?! E de quem eu iria fazer pasta? O Chico Buarque nunca tinha ido ao Gugu, não seria um gordinho metido a esperto dos confins do mundo que melhoraria a programação dominical do SBT, certo?!
Na carta eu me coloquei miserável. Mal tinha o que comer, vivia num barraco insalubre. Era fossa, esgoto a céu aberto, ratos, gatos, sapos; tudo o que o meu parco conhecimento em sanitarismo tinha como condenável. Esse garotinho desfavorecido suplicava nada mais, nada menos, do que quinze dos vinte modelos de tênis que haviam no mini-catálogo-sanfona: um psx-12PRO para prática esportiva (saúde); um BIO4-U para freqüentar a missa (bem-estar mental, cultos e crenças); um 5X-SPEED para ir à escola (educação), etc. Minha imaginação prática foi argumentativa o suficiente.
Não recordo quanto depois eu recebi uma carta, o remetente não parecia ser alguém necessitado, não. Descobri com algum raciocínio que a Alpargatas era um empresa de calçados e ela dizia que, "infelizmente, não foi possível atender ao meu pedido".
Unido ao tênis por aqueles... ai, como eu explico? Sabe a coisinha de plástico branco mega resistênte que une a etiqueta da roupa ao cartãozinho de preço da loja? Aquele que corta a mão mas não arrebenta quando se faz força, aí puxamos com os dentes e parece que os dentes da frente vão sair da gengiva - quase a mesma sensação de quando o dentista tira o quadradinho metálico do aparelho fixo com o alicate! -, pois é, unido ao tênis com esse coisinho veio um mini-catálogo dos modelos de tênis da marca e eu tive uma grande idéia!
Influenciado pela onda do tele-entretenimento nacional da época, que contemplava um remetente carente com um dia de compras e diversão ao lado de seu "artista" preferido - mas tinha que provar ser fã, viu?! Pastas montadas com recortes de revistas e jornais eram cabais -, resolvi, eu, escrever uma carta para a Mizuno usando o endereço do próprio catalogozinho, já que eu não ia fazer pasta, né?! E de quem eu iria fazer pasta? O Chico Buarque nunca tinha ido ao Gugu, não seria um gordinho metido a esperto dos confins do mundo que melhoraria a programação dominical do SBT, certo?!
Na carta eu me coloquei miserável. Mal tinha o que comer, vivia num barraco insalubre. Era fossa, esgoto a céu aberto, ratos, gatos, sapos; tudo o que o meu parco conhecimento em sanitarismo tinha como condenável. Esse garotinho desfavorecido suplicava nada mais, nada menos, do que quinze dos vinte modelos de tênis que haviam no mini-catálogo-sanfona: um psx-12PRO para prática esportiva (saúde); um BIO4-U para freqüentar a missa (bem-estar mental, cultos e crenças); um 5X-SPEED para ir à escola (educação), etc. Minha imaginação prática foi argumentativa o suficiente.
Não recordo quanto depois eu recebi uma carta, o remetente não parecia ser alguém necessitado, não. Descobri com algum raciocínio que a Alpargatas era um empresa de calçados e ela dizia que, "infelizmente, não foi possível atender ao meu pedido".
Exórdio
Sempre gostei de palpitar textos alheios: vírgulas deslocadas, palavras repetidas, idéias mal explicadas, enfim, o que não faltavam eram defeitos a serem evidenciados!
Resolvi, então, escrever e constatar o quanto deve ser difícil submeter um trabalho à vontade sórdida de pessoas como eu.
Resolvi, então, escrever e constatar o quanto deve ser difícil submeter um trabalho à vontade sórdida de pessoas como eu.
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