domingo, 27 de setembro de 2009

Como provar teorias usando a existência hipotética de uma ilha OU A Ilha de Lesbos

Famílias grandes do interior de Minas Gerais têm lá suas maneiras. Sempre existem pedaços genealógicos teus enfiados em algum vale, rodeados de natureza com uma cozinha de fazer queijo em casa. E quando os visita, tu comes frango caipira – sim, o do peito pequeno, a graça seria chupar os ossos -, pastel de queijo, claro – vai pinga na massa! -, e até chás hipnóticos que, quando acompanhando bolinhos de polvilho, parecem água! Ainda mais pra quem não toma café. O sono é pós-prandial. As pálpebras criam com o chão um quimiotropismo positivo – mas campo magnético aqui ia ser perfeito... -, e são puxadas para baixo a fim de destacá-las do teu rosto; como tu estás anestesiado, nem sente. Quando tu chegar em casa, dormes. Dormes. Dormes. Dormes. Nunca mais acordas e quando acordas, acordas com uma dor de cabeça, uma sensação de desidratação... Res-sa-ca!
E quando são esses elos co-sangüíneos perdidos que te visitam?
- Diego, vem aqui!
- Sim mãe.
- Olha quem está aqui!
- Olá, olá! Boa tarde!... Mãe, quem são?
Destruindo sua tentativa de discrição, aos berros:
- Uai, é Virgininha do Beto! Você não se lembra dela?
Essa pergunta arremate é coisa de inimigo, não é coisa de mãe.
- Não sei se eu lembro, mãe. Da onde eu a conheço mesmo?
- Ah Diego, a Virgininha do Beto, filho do Cráucio leiteiro, eles são do Feijoal. O Cráucio é filho do irmão do Vô Nardo!
- Ah... Então o “Cráucio” é seu primo e a Virgininha é casada com o filho do seu primo!
- Isso, o Beto é meu primo de segundo grau!
- Não mãe, de quarto.
Depois que nossos parentes tomaram volta à vida bucólica que levam, minha mãe e eu passamos um tempo conjecturando acerca dos graus de parentesco. Eu defendia a idéia de que primos ditos “de primeiro grau” são, na verdade, parentes de terceiro grau. E ela dizia que estão relacionados em terceiro grau, no entanto, são primos de primeiro grau, o grau seria grau um, e que há diferença ao quantificar o quão próximo tu és de um relativo, pois há as relações de consangüinidade e de parentesco, que são mensuradas diferentemente.
Não aceitei. Todo o mundo até entende o que se quer dizer, entretanto, há os que usam a tal relação de parentesco apenas, ficando com uma noção enganada do grau de consangüinidade. Só que essas pessoas não precisam se referir à relação de consangüinidade, usada na genética por exemplo. Sendo assim ficou certo!
Sempre se entende, então é certo. Não causa engano; ajuda na organização do quem vai cuidar da avó velha que, possivelmente, tornar-se-á um estorvo; ensina aos mais novos que o papai e a mamãe também têm primos – mais um indício de que eles também foram crianças! Porque primo é primo. Brincar de esconde-esconde na ceia de Natal com galera é a melhor coisa! E brigar pra ser o Power Ranger vermelho então? Mal sabíamos que ele estaria nas telas pornô um tempo depois e sem mudar o nome artístico, o que é um dolo gravíssimo! Afinal de contas, caso tu não saibas ainda, o teu nome no mercado pornô é produto da regra:

NOME DO TEU ANIMAL DE ESTIMAÇÃO PREFERIDO + ÚLTIMO NOME DA RUA EM QUE MORAS

Não tem erro! Xaninha Rodini, Luck Rigotto, Night Saudades...
Imagina a Ilha dos Porn Stars no Hawaii. Habitada apenas por artistas do sexo e cercada por um arrecife de corais que contém muito ferro na composição de suas proteínas, o que cria um campo magnético ao redor da ilha e implica qualquer pessoa entrar ou sair da ilha com uma segurança máxima de 16,3% - sinceramente, campos magnéticos são infalíveis! Adoro-os.
Entenderás a razão da existência hipotética dessa ilha dos prazeres!
Imagino eu passando o Réveillon nessa ilha: apenas pessoas jovens, lindas, saradas, sensuais... Pois é, meus critérios me excluíram do meu próprio Réveillon.
Estará mesmo correta essa engenharia abstrata de colocar primos como “primeiro grau”, sendo que são parentes de terceiro grau? Levando em conta que a palavra “primo” já designa “filho do seu tio”, dizer “primo de primeiro grau” está certo ou errado. E só é certo por ser certo para todas as pessoas. Objetivando responder ao questionamento, sugeri que minha mamãe imaginasse um lugar normal, repleto de pessoas normais, que freqüentam escolas normais, nas quais se aprende biologia normalmente. O fator exógeno é que esse lugar é um pouco menor que o estado do Paraná e está cercado de água salgada, do mar, por todos os lados! Sim! É uma ilha! Uhul! É a Ilha dos Filhos Únicos: nunca houve uma mulher nessa ilha que tenha gestado mais de uma vez. Fica na micronésia e... Consegue adivinhar? Há um campo magnético fortíssimo rodeando esse lugar, impedindo o trânsito de pessoas, o que, obviamente, não impediu que a população local desenvolvesse sociedade, cultura, política, economia e tudo mais de forma normal (a última temporada de LOST vai explicar como foi possível).
Nessa ilha nunca se falou em primo de segundo grau, pois ninguém tem primo! Então para eles estar relacionado a alguém que é filho da irmã da sua mãe é terceiro grau, ok? Se a gente desligar o campo magnético da Ilha dos Filhos Únicos (em LOST já fizeram isso!) e pinçar algum nativo e colocá-lo no nosso meio, falar primo de terceiro grau vai causar mal entendido, tornando esse modo de quantificar familiaridade incorreto! Ufa!
- Então dizer “primo de segundo grau” só estará errado caso a Ilha dos Filhos Únicos exista?
- Existe a Ilha de Lesbos, não existe?
Ilhas com campo magnéticos são excelentes! Não sabe mais como defender um erro? Ilha cercada por um campo magnético. Fe-chou.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eu estudo medicina e agora estou indo assistir a uma aula de ética. Meu professor de ética candidatou-se a vereador nas últimas eleições: ou ele é o professor perfeito para esse conteúdo pelo seu idealismo, coragem e vanguardismo ou ele é o exemplo perfeito do mau caratismo, desrespeito e arcaicismo.