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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A cabelerêra que cometeu iatrogenia OU Fixação anal OU Tendo um cu na cabeça

Cabelerêra sim! Ao ter me violentado ela me deu todo o direito do mundo em relação à profissão dela. Carrego, agora, 3cm² de carequisse na área anterolateral direita da cabeça por culpa dela.
Véspera de Natal. Cheguei pontualmente no salão e tive que esperar por ela. Meu corte de cabelo foi interrompido inúmeras vezes: mulher bigoduda que queria livrar-se de seu másculo porém; conhecido a pedir corte de cabelo grátis em virtude do Natal – bem fez ele de ir embora por pressa! -; jovem com seios caídos buscando por um sutiã recortado nadador nas costas – pois iria usar um vestido tomara-que-caia e não se sentia à vontade sem o pára-peito -; telefonema de filhos... Entendo a atribulação de quem tenta ganhar dinheiro em negócio próprio e quase informal, no entanto, impelir-me um mapa do desmatamento da Amazônia é falta injustificável.
Quando do acidente pediu que eu não chorasse, pois se fosse ela estaria já chorando e caso eu caísse em lágrimas era faria o mesmo. Por favor! O mais novo careca a contra gosto ali era eu! (E eu me conheço bem. Talvez rodeie demais para tentar falar o simples – visto ser tão complicado. Aceitável seria uma cliente esfalecer-se em lágrimas.) Mantive-me com cara de bom humor e, é claro, não permiti as sugestões dos presentes fossem acatadas: eu nunca raspei a cabeça e nunca rasparei! Além do mais, convinha o sofrimento dela também.
Nunca raspei a cabeça. Só farei isso quando me achar de rosto bonito. Nunca raspei a cabeça, nunca. Em tempo de comemoração pelo vestibular concorridíssimo, mandei cortarem-me o cabelo à máquina dois, assim disse aos veteranos que o ritual medieval já tinha ocorrido, estava ali, portanto, um cabelo novo em folha. Ainda de calourisse, pintei o cabelo todo de vermelho com bolas amarelas e depois de passada a necessidade universitária da extravagância, mandei pintar todo o cabelo de preto; ao passo que os colegas, todos, rasparam a cabeça novamente. A cabelerêra-barbeira foi a instrumentista de todas essas articulações anti couro cabeludo à mostra. Desejo que ela sofra muito.
Há dois dias feri e queimei meu couro cabeludo ao passar um produto fedido e forte que minha mãe aplica bimestralmente. Estava há dois dias sem lavar o cabelo. Cabelo duro, fedido e esperançoso de um novo corte, visto que a natureza das pontes de enxofre proibia minha vontade, bom gosto e imaginação. Nunca imaginei sentir tanto ódio de alguém.
Apoiarei todo e qualquer processo de ressarcimento por danos morais. Eu não entendia o porquê das pessoas sentirem-se satisfeitas com dinheiro em troca do cachorrinho de estimação que morreu no compartimento de carga do avião por terem se esquecido de abrir um canal de ar. Talvez se ela pagasse o boné caríssimo que comprarei, mais as peças jeans que eu namoro na vitrine minha tristeza torne-se relativamente menor. A alegria a ser instaurada será tão maior que penderá a balança do humor para o bom: processemos! Ainda repito “ai, que ódio”, ai, que ódio; dentro de mim.
Ela tentou remediar com palavras. Desculpou-se diabeticamente. Encarecidamente. É que ela tava tirando o pente da máquina a todo tempo para eliminar o cabelo que acumulava e aquela máquina não é a qual mais usa. A outra está com o pente nº 3 estragado pelo calor da chapinha que foi posta ao lado dele. Ela ia fazer as bordas do cabelo, mas acabou indo direto para o meio da cabeç... Ah! Chega! Está tudo bem! Só não fale mais sobre assunto! Está tudo bem.
Eu sou um cliente emocionante! Ajudo a tornar o cotidiano profissional menos tedioso: sempre chego carregado de novos e inéditos caminhos de rato por ter a mania de, eu mesmo, retocar meu corte de cabelo. Faço mesmo sabendo que não vai dar certo, afinal de contas eu sou legal e nunca reclamei de uma costeleta maior que a outra, de mechas gigantes, de corte mais cumprido ou curto do que gostaria. Enchi a boca: quando eu corto meu cabelo eu faço caminho de rato, mas isso eu nunca fiz. Pensei em acrescentar um “não”, com uma risadinha final, assim: quando eu corto meu cabelo eu faço caminho de rato, mas isso eu nunca fiz não! [risinho]. Mas era instante correto de tortura. É tão bom. Bom mesmo. Ser carrasco havia de ser uma profissão muito boa! Não só por torturar pessoas e ter razão ao mesmo tempo, mas também porque se você perde a atenção e faz uma merda não há problema, o culpado vai morrer mesmo, não é?! [risinhos]. [Risinhos.].
A notícia, por certo, espalhar-se-á. Não verão a clareira na minha copa, pois estarei usando algum adorno caro, como disse. Tenho medo da falta de inteligência lógica e auto-exemplificativa das pessoas. Eu sei que Fulano está com um cocô na parte anterolateral da cabeça e o Fulano está com um objeto a tampar esse cocô. Logo, Fulano não quer que vejam esse cocô! Se pedirem pra ver esse cocô – ninguém gosta de cocô, e todos querem ver! É sempre assim com a desgraça alheia! É uma qualidade de entretenimento capaz de transformar seres humanos em mosca de cocô -, vai ser uma só: eu deixo você ver com uma condição! Arrie a calça e a peça íntima, vire-se de costas para mim, toque os pés com as mãos e levante o quadril: quero ver seu cu. Nu. Seu cu. Se me deixar ver seu cu eu mostro meu quadradinho de falta de cabelo! E aí eu começo a me divertir! Demais! Imagino excelentes situações. Caso uma jovem que teve filho acidentalmente me peça, eu mostro com a condição de ver o útero dela. Caso uma freira me peça, hehehe... Caso um tatuador me peça, eu mostro com a condição de ganhar uma tatuagem ali. Mas ver a face das pessoas diante da condição de mostrarem o cu pra ver uma faltinha de cabelo será impagável.
Um dia eu termino esse texto, sinto que, talvez, minha fisiologia tenha percebido a existência de um novo esfíncter no meu corpo... Tem prejudicado as idéias.